INTRODUÇÃO
Missão a partir do Catecismo da Igreja Católica
“A MISSÃO UMA EXIGÊNCIA DA CATOLICIDADE DA IGREJA
849 O mandato missionário. "Enviada por Deus às nações para ser 'o
sacramento universal da salvação', a Igreja, em virtude das exigências intimas
de sua própria catolicidade e obedecendo à ordem de seu fundador, esforça-se
para anunciar o Evangelho a todos os homens. "Ide, portanto, e fazei que
todos os povos se tomem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que
estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,19-20).
(Parágrafos relacionados 738,767).
850 A origem e o escopo da missão. O mandato missionário Senhor tem sua fonte
última no amor eterno da Santíssima Trindade: "A Igreja peregrina é, por
sua natureza, missionária. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão
do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai". E o fim último da
missão não é outro senão fazer os homens participarem da comunhão que existe
entre o Pai e o Filho em seu Espírito de amor. (Parágrafos relacionados
257,730)
851 O motivo da missão. É do amor de Deus por todos os homens que a Igreja
sempre tirou a obrigação e a força de seu clã missionário: "Pois o amor de
Cristo nos impele..." (2Cor5,14). Com efeito, "Deus quer que todos os
homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4). Deus
quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na
verdade. Os que obedecem à moção do Espírito de verdade já estão no caminho da
salvação; mas a Igreja, a quem esta verdade foi confiada, deve ir ao encontro
de seu anseio, levando-lhes a mesma verdade. Ela tem de ser missionária
porque crê no projeto universal de salvação. (Parágrafos relacionados
221,429,74,217,2104,890).
852 Os caminhos da missão. "O Espírito Santo é o protagonista de toda a
missão eclesial ." É ele quem conduz a Igreja pelos caminhos da missão.
"Esta missão, no decurso da história, continua e desdobra a missão do
próprio Cristo, enviado a evangelizar os pobres. Eis por que a Igreja, impelida
pelo Espírito de Cristo, deve trilhar a mesma senda de Cristo, isto é, o
caminhos da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si até a,
morte, da qual Ele saiu vencedor por sua Ressurreição." É assim que
"o sangue dos mártires é uma semente de cristãos". (Parágrafos
relacionados 2044,2473)
853 Mas em sua peregrinação "não ignora a Igreja o quanto se distanciam
entre si a mensagem que ela profere e a fraqueza humana daqueles aos quais o
Evangelho foi confiado [a90] ". Somente avançando pelo caminho "da
penitência e da renovação" e "pela porta estreita da Cruz" o
Povo de Deus pode estender o Reino de Cristo. Com efeito, "assim como
Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja
é chamada a seguir o mesmo caminho, a fim de comunicar aos homens os frutos da
salvação" (Parágrafos relacionados 1428,2443).
854 Por sua própria missão, "a Igreja caminha com a humanidade inteira.
Experimenta com o mundo a mesma sorte terrena; é como o fermento e a alma da
sociedade humana a ser renovada em Cristo e transformada na família de
Deus". O esforço missionário exige, pois, a paciência. Começa pelo anúncio
do Evangelho aos povos e aos grupos que ainda não crêem em Cristo; prossegue no
estabelecimento de comunidades cristãs que sejam "sinais da presença de
Deus no mundo [" e na fundação de Igrejas locais; encaminha um processo de
inculturação para encarnar o Evangelho nas culturas dos povos; e não deixará de
conhecer também fracassos. “Quanto aos homens, sociedades e povos, apenas
gradualmente os atinge e penetra, e assim os assume na plenitude
católica." (Parágrafos relacionados 2105, 204).
855 A missão da Igreja exige o esforço rumo à unidade dos cristãos.
Efetivamente, "as divisões entre cristãos impedem a Igreja de realizar a
plenitude da catolicidade que lhe é própria naqueles filhos que, embora lhe
pertençam pelo batismo, estão separados da plena comunhão com ela. Não só isso,
mas também para a própria Igreja se torna tanto mais difícil exprimir, na
realidade de sua plena catolicidade sob todos os aspectos". (Parágrafo
relacionado 821).
856 A tarefa missionária implica um diálogo respeitoso com os que ainda não
aceitam o Evangelho. Os fiéis podem tirar proveito para si mesmos deste
diálogo, aprendendo a conhecer melhor “tudo quanto de verdade e de graça já se
achava entre as nações, numa como que secreta presença de Deus". Se
anunciam a Boa Nova aos que a desconhecem, é para consolidar, completar e
elevar a verdade e o bem que Deus difundiu entre os homens e os povos e para
purificá-los do erro e do mal, "para a glória de Deus, a confusão do
demônio e a felicidade do homem''. (Parágrafos relacionados 839,843)”.
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2 Organizado em função das aulas de Missiologia, do curso modular de teologia
do Centro Social Dom Bosco,
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A NATUREZA MISSIONÁRIA ONTEM E HOJE
Essa é a GRANDE TAREFA deixada por Jesus à Igreja: “Vão a todos os povos do
mundo e façam com que sejam meus seguidores (...); Anunciem o evangelho a todas
as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será
condenado” (Mt 28, 19; Mc 16, 15).
Assim declara atualmente o Documento de Aparecida: “A Igreja é chamada a
repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas
novas circunstâncias latino‐americanas e mundiais (...); Trata-se de confirmar, renovar e
revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um
encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos
missionários. Isso não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de
homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade, como
discípulos...” (DAp, 11).
1. As circunstâncias atuais como sinais dos tempos
A Igreja se encontra hoje numa situação de diáspora diante da fragmentação e da
multi‐culturalidade do mundo atual. A hegemonia das tradições religiosas em
determinados territórios deixou lugar ao pluralismo possível, graças às
encruzilhadas proporcionadas por tecnologias, mercados, mobilidades humanas e
aglomerações urbanas. O catolicismo na América Latina perde porcentagens de
supostos adeptos e assiste ao crescimento das igrejas pentecostais, ao lado do
aumento do número de descrentes, sobretudo entre os mais jovens.
Nessa efervescência, cidades e metrópoles substituíram aldeias em todo o mundo.
Sabedorias populares e estruturas comunitárias deram lugar à autonomia e à
liberdade das pessoas. A questão religiosa, no seu conjunto, se amplifica e se
aprofunda diante dos desafios do mundo pós‐moderno e globalizado. Para
a humanidade do século XXI, a religião se torna uma mercadoria para satisfazer
as necessidades/desejos espirituais de sentido dos indivíduos, dispensando,
porém, a adesão a uma comunidade e a afiliação a uma confissão.
Numa realidade marcada por grandes e profundas mudanças, a Igreja procura
encarar esses desafios com uma atitude ambivalente: de um lado, positivamente,
com confiança, atenção e escuta, discernindo os sinais dos tempos em que Deus
se manifesta, por outro, com apreensão, frente à desordem generalizada que se
propaga por novas turbulências sociais e políticas, pela difusão de uma cultura
distante e hostil à tradição cristã.
Seja como for, nesse contexto a Igreja sente a necessidade de intensificar seus
esforços e de ampliar os âmbitos de ação de sua missão evangelizadora.
Antigamente, no regime da societas perfecta, a missão (ad gentes) coincidia
exatamente com a missão ad extra em territórios culturalmente não‐cristãos. Era uma questão de “soberania” da Igreja em relação ao mundo
fora da cristandade. Hoje a atividade missionária parece se impor como
realidade difusa também nos contextos de antiga tradição cristã. Contudo, ainda
sobrevive um arquétipo missionário atrelado a uma visão etnocêntrica e
eclesiocêntrica de “território” (geográfico ou simbólico), em que os
destinatários da ação evangelizadora precisam ser “conquistados” ou
“reconquistados” para serem reconduzidos aos cuidados da Igreja.
Ao falar de missão da Igreja nas circunstâncias atuais, se faz necessário um
discernimento fundamental que ajude a não confundir a fidelidade ao Senhor (que
disse: “Ide e pregai!”) com a fixação em modelos historicamente limitados (missões
transculturais, padres, freiras...).
Nesse sentido, a perspectiva conciliar sugere de desprender imediatamente nossa
idéia de missão do conceito de território e de ação, para reencontrar sua
profunda razão de ser no núcleo identitário da própria Igreja, e a partir daí,
provocar uma profunda renovação da mesma, começando da reevangelização dos
evangelizadores, como sugeriu Aparecida: “Para nos converter em uma Igreja
cheia de ímpeto e audácia evangelizadora, temos que ser de novo
evangelizados...” (n. 549). Assim, o tema da conversão, tão caro à teologia da
missão, é, curiosamente, dirigido à própria Igreja e não ao mundo pagão. Porque
motivo? Em que consiste, afinal, essa conversão?
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2. A natureza missionária
Para tentar um caminho de compreensão, podemos partir sem dúvida da declaração
conciliar de Ad Gentis (AG): “A Igreja peregrina é por sua natureza
missionária, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo,
segundo o desígnio do Pai” (n. 2). A primeira novidade está na palavra
“natureza” que quer dizer “essência”: a Igreja é missionária por sua
“essência”. Essa essência é a própria essência de Deus, porque “este desígnio
brota do «amor fontal», isto é, da caridade de Deus Pai” (AG, 2). Em outras
palavras, a missão vem de Deus porque Deus é amor, um amor que não se contém,
que transborda, que se comunica, que sai de si já com a criação do mundo, e
conseqüentemente ao pecado da humanidade, com a história da salvação para
reintegrar as criaturas na vida plena do Reino. Esse transbordar histórico da
Trindade Imanente foi chamado de Trindade histórico‐salvífica que configura a missão de Deus (missio Dei). De alguma forma,
o próprio Deus se auto‐envia pela missão do Filho e do Espírito, através dos quais o próprio
Pai.
A segunda palavra mágica de AG 2 é “missionária”. A Igreja é por sua natureza
missionária. Isso constitui uma revolução no próprio conceito de Igreja, que
procede da missio Dei. Não é mais a Igreja que envia missionários em qualidade
de “missionante”, mas é ela própria enviada como “missionária”. Seu envio não é
conseqüência: é essência. A Igreja “é” ao ser enviada: se edifica em ordem à
missão. Não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da
missão de Deus. A missão é antes de tudo: eis a mudança de paradigma.
A eclesiologia, portanto, não precede a missiologia. A atividade missionária
não é tanto uma ação da Igreja, mas é simplesmente a Igreja em ação. Não é uma
Igreja que ‘tem’ uma missão, mas ao contrário, na missão de Cristo que se cria
uma Igreja. Não é uma missão que deve ser compreendida a partir da Igreja, mas
o contrário. Nisso se define a própria identidade da Igreja.
Escreveu João Paulo II, na Exortação Apostólica Redemptoris Missio (RM - A
missão do Redentor, de 1990): “...O que me anima mais a proclamar a URGÊNCIA DA
EVANGELIZAÇÃO MISSIONÁRIA é que ela constitui o PRIMEIRO SERVIÇO que a Igreja
pode prestar ao homem e à humanidade inteira, no mundo de hoje, que, apesar de
conhecer realizações maravilhosas, parece ter perdido o sentido último das
coisas e da sua própria existência...”. E prossegue dizendo o que já estudamos
na GS: “...Cristo Redentor revela plenamente o homem e si próprio... A
Redenção, operada na cruz, restituiu, definitivamente, ao homem a dignidade e o
sentido de sua existência no mundo” (n. 2).
3. Voltando à essência da Igreja
No processo de conversão pastoral a que toda a Igreja e cada discípulo é
convidado a trilhar, tendo em vista a retomada do fôlego missionário, é
fundamental lançar o olhar às nossas origens, naqueles dias onde se ouviam
expressões apaixonadas como a de S. Pedro (cf. At 4, 20) e a de S. Paulo (cf. I
Cor 9, 16).
A RM contém um modelo perfeito para a compreensão missionária, capítulo a
capítulo:
3. 1. Jesus Cristo, único Salvador
· Não podemos
substituir a missão aos não-alcançados pelo diálogo inter-religioso?
· Não se deverá
restringir a ação da Igreja ao empenho pela promoção humana?
· O respeito pela
consciência e pela liberdade não exclui qualquer forma de conversão?
· Não é possível
salvar-se em qualquer religião?
· Para quê, pois, a
missão? (João Paulo II faz todas essas questões)
A resposta às quatro primeiras questões é uma só: NÃO! E a resposta à quinta,
está nas Escrituras. Leia: Jo 1, 9; 14, 6 – At 4, 10-12 – Hb 1, 1-12 – I Tm 2,
5-7 – Hb 4, 14-16 – Jo 3, 16 – Cl 1, 12-14 – Ef 1, 10. Abaixo alguns
pensamentos de João Paulo acerca dessa nossa tarefa missionária:
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“O anúncio e o testemunho de Cristo, quando feitos no respeito das
consciências, não viola a liberdade. A fé exige a livre adesão do homem, mas
tem de ser proposta, já que as multidões têm o direito de conhecer as riquezas
do mistério de Cristo, nas quais a humanidade pode encontrar, numa plenitude
inimaginável, tudo aquilo que procura...” (RM, 8).
“Não podemos calar-nos (At 4, 20). Respeitando todas as crenças e todas as
sensibilidades, devemos afirmar, antes de mais nada, com simplicidade, a nossa
fé em Cristo, único salvador do homem – fé que recebemos como um dom do Alto,
sem mérito algum de nossa parte. Dizemos como São Paulo: ‘Eu não me envergonho
do Evangelho, o qual é o poder de Deus para salvação de todo o crente’ (Rm 1,
16)” (RM, 11).
“À pergunta por que a missão?, respondemos, com fé e a experiência da Igreja,
que abrir-se ao amor de Cristo é a verdadeira libertação. Nele, e só nele,
somos libertados de toda alienação e extravio, da escravidão ao poder do pecado
e da morte. Cristo é verdadeiramente a nossa paz (Ef 2, 14), e o amor de Cristo
nos impele (II Cor 5, 14), dando sentido e alegria à nossa vida. A missão é um
problema de fé; é a medida exata de nossa fé em Cristo e no seu amor por nós”
(idem).
3. 2. O Reino de Deus
· O Messias veio
pregar o Reino de Deus (cf. Mc 1, 14-15; Mt 4, 17; Lc 4, 43);
· A proclamação e
instauração do Reino de Deus são o objetivo de sua missão (cf. Mc 1, 15; Mt 11,
4-5; 12, 25-28; Mc 3, 13-19; Lc 4, 18 etc.);
· Características e
exigências do Reino:
ü Destina-se a todos
os homens (Jesus foi a todos, a começar dos marginalizados – Lc 6, 20; 5, 30;
15, 2; 7, 34; 15, 1-32);
ü A libertação e a
salvação, oferecidas pelo Reino de Deus, atingem a pessoa humana tanto em suas
dimensões físicas como espirituais (cf. Lc 5, 24; 18, 42-43; Mt 12, 28);
ü O Reino pretende
transformar as relações entre os homens, a medida que se entregam à Deus (cf.
Jo 13, 34; 15, 12);
ü O Reino diz respeito
a todos: pessoas, sociedade, o mundo inteiro;
ü O Reino começa na
vida da pessoa que aceita Jesus (cf. At 8, 12; 28, 31; II Pd 1, 11).
ü A Igreja não é o
Reino, mas a porta de acesso ao Reino, uma vez que oferece Cristo Salvador.
O caminho para as pessoas conhecerem e entrarem no Reino é o anúncio e a vida
de comunidade.
Nesse sentido, destaca João Paulo II:
“Como outrora, é preciso unir, hoje, o anúncio do Reino de Deus (o conteúdo do
kerigma de Jesus) e a proclamação da vinda de Jesus Cristo (o kerigma dos
apóstolos). Os dois anúncios completam-se e iluminam-se mutuamente” (RM, 16).
“A Igreja está efetiva e concretamente ao serviço do Reino. Em primeiro lugar,
serve-o com o ANÚNCIO que chame à conversão: este é o primeiro e fundamental
serviço à vinda do Reino para cada pessoa e para a sociedade. A salvação
escatológica começa já agora, na novidade de vida em Cristo... (Jo 1, 12)
(...); A Igreja serve, ainda, o Reino, FUNDANDO COMUNIDADES, constituindo
Igrejas particulares, levando-as ao amadurecimento da fé e da caridade, na abertura
aos outros, no serviço à pessoa...” (RM, 20).
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3. 3. O Espírito Santo, protagonista da missão
O Espírito Santo continua a missão de Cristo, radicada na cruz, por meio da
Igreja, agindo nos discípulos e apóstolos de ontem e de hoje, sendo, pois, “o
protagonista de toda missão eclesial” (RM, 21). Ao mesmo tempo em que age nos
cristãos, opera nos ouvintes, dando vida para que os corações e consciências se
abram ao Evangelho.
O envio missionário foi narrado pelos 4 evangelistas (cf. Mt 28, 18-20; Mc 16,
15-18; Lc 24, 46-49; Jo 20, 21-23). É no Espírito que a Igreja é enviada. Ele é
a presença e a força do Senhor (RM, 23).
Os Atos dos Apóstolos contém 6 discursos missionários (cf. 2, 22-39; 3, 12-26;
4, 9-12; 5, 29-32; 10, 34-43; 13, 16-41). Também At 14, 15-17 e 17, 22-31 são
modelos de missão entre os pagãos. É um convite à conversão em Jesus e à
transformação pelo Espírito. (RM, 24). Além dessa mudança interior que o
Espírito opera, ele “impele o grupo dos crentes a ‘constituírem comunidades’, a
serem Igreja” (cf. At 2, 42-47; 4, 32-35/RM, 26). Passa-se do kerigma para a
koinonia.
Ponto importante nesse documento é enfatizar que a missão não se restringe aos
apóstolos na Igreja primitiva, quando diz: “Logo nas suas origens, a missão foi
vista como um compromisso comunitário e uma responsabilidade da Igreja local,
que necessita de missionários para se expandir em direção a novas fronteiras”
(RM, 27). Assim, “a missão ad gentes, embora contando com missionários
integralmente dedicados a ela por vocação especial, todavia era considerada
como o fruto normal da vida cristã, graças ao compromisso de cada crente,
atuado mediante testemunho pessoal e anúncio explícito, sempre que possível”
(idem).
Disse João Paulo II: “O nosso tempo, com uma humanidade em movimento e
insatisfeita, exige um renovado impulso na atividade missionária da Igreja”
(RM, 30). “A Igreja deve, hoje, enfrentar outros desafios, lançando-se para
novas fronteiras, quer na missão ad gentes, quer na nova evangelização dos
povos que já receberam o anúncio de Cristo” (idem).
3. 4 – Os imensos horizontes da missão ad gentes
· Enviados a todas as
pessoas, a todos os povos e a todos os lugares da Terra (isso é primário e
essencial);
· Saber lidar com um
quadro religioso completo e em mutação (RM, 32);
· A missão se dá: 1-
entre os que não conhecem a Cristo (pregando-O), 2- entre os que O conhecem
(cuidando deles pastoralmente) e 3- entre os que já não possuem uma fé viva e
praticante (nova evangelização) (RM, 33);
3. 5 – Os caminhos da missão
· Testemunho: “o homem
contemporâneo acredita mais nas testemunhas do que nos mestres” (Paulo VI) (RM,
42).
· Kerigma: o anúncio
de Cristo morto e ressuscitado tem prioridade na missão (RM, 44);
· Conversão e batismo:
pela fé na Palavra vem a conversão, e nela a adesão a Cristo pelo Batismo (RM,
47);
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· Formação de igrejas
locais: é preciso fundar novas comunidades cristãs e desenvolvê-las até a
maturidade (plantatio Ecclesiae). Isso é tarefa de toda a Igreja (famílias,
paróquias e associações) (RM, 49);
· Comunidades
eclesiais de base – força da evangelização: grupos cristãos a nível familiar ou
de ambientes restritos, que se encontram para a oração, a leitura das
Escrituras, a catequese, a partilha dos problemas humanos e eclesiais, em vista
de um compromisso comum (RM, 51). Elas descentralizam e, articulam a comunidade
paroquial;
· Encarnar o Evangelho
na cultura dos povos: processo de inculturação;
· Diálogo com outras
religiões: sem nunca deixar de afirmar que a salvação vem de Cristo, e que o
diálogo não dispensa a evangelização (RM, 55);
· Promover o
desenvolvimento, educando as consciências: trazer promoção integral do ser
humano (RM, 58);
· A caridade, fonte e
critério da missão: as obras de caridade dão testemunho da alma missionária da
Igreja (RM, 60).
3. 6 – Os responsáveis e os agentes da pastoral missionária
“Não existe testemunho, sem testemunhas, como não há missão, sem missionários”
(RM 61).
· Apóstolos (bispos)
(RM, 63s);
· Missionários e
institutos ad gentes (RM, 65s);
· Sacerdotes
diocesanos (RM, 67s);
· Institutos de vida
consagrada (contemplativos e ativos) (RM, 69s);
· Todos os leigos (RM,
71).
“A necessidade de que todos os fiéis compartilhem tal responsabilidade não é
apenas questão de eficácia apostólica, mas é um DEVER-DIREITO, fundado sobre a
dignidade batismal, pelo qual os leigos participam, por sua vez, no tríplice
ministério – sacerdotal, profético e real – de Jesus Cristo. Por isso, recai
sobre eles o mandato do Senhor, tendo o direito de se empenharem
individualmente, ou reunidos em associação, para que o anúncio da salvação seja
conhecido e acolhido por todo homem, em qualquer lugar (RM, 71).
· A obra dos
catequistas e a variedade dos ministérios (RM, 73s);
· A congregação para a
evangelização dos povos e outras estruturas da atividade missionária (RM, 75s);
3. 7 – A cooperação na atividade missionária
Todos os batizados são co-responsáveis pela missão (RM, 77). Isto se dá:
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· Na união de cada
fiel a Cristo;
· Na oração e
sacrifício pelos missionários;
· Na oferta às obras
missionárias;
· Na resposta
vocacional e engajamento integral na missão (consagração);
Para tudo isso acontecer, a Igreja deve investir na formação missionária do
povo de Deus.
3. 8 – A espiritualidade missionária
· Deixar-se conduzir
pelo Espírito;
· Viver o mistério de
“Cristo enviado”;
· Amar a igreja e os
homens como Jesus amou;
· O verdadeiro missionário
é o santo;
Conclusão
“Nunca como hoje se ofereceu à Igreja a possibilidade de, com o testemunho e a
palavra, fazer chegar o Evangelho a todos os homens e a todos os povos. Vejo
alvorecer uma nova época missionária, que se tornará dia radioso e rico de
frutos, se todos os cristãos e, em particular, os missionários e as jovens
Igrejas, corresponderem, generosa e santamente, aos apelos e desafios do nosso
tempo.
Como os apóstolos depois da ascensão de Cristo, a Igreja deve reunir-se no
Cenáculo com Maria, a Mãe de Jesus, a fim de implorar o Espírito e obter força
e coragem para cumprir o mandato missionário. Também nós, bem mais que os
apóstolos, temos necessidade de ser transformados e guiados pelo Espírito
(...)” (RM, 92).
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