quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

um pouco de formação

INTRODUÇÃO
Missão a partir do Catecismo da Igreja Católica
“A MISSÃO UMA EXIGÊNCIA DA CATOLICIDADE DA IGREJA
849 O mandato missionário. "Enviada por Deus às nações para ser 'o sacramento universal da salvação', a Igreja, em virtude das exigências intimas de sua própria catolicidade e obedecendo à ordem de seu fundador, esforça-se para anunciar o Evangelho a todos os homens. "Ide, portanto, e fazei que todos os povos se tomem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,19-20). (Parágrafos relacionados 738,767).
850 A origem e o escopo da missão. O mandato missionário Senhor tem sua fonte última no amor eterno da Santíssima Trindade: "A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai". E o fim último da missão não é outro senão fazer os homens participarem da comunhão que existe entre o Pai e o Filho em seu Espírito de amor. (Parágrafos relacionados 257,730)
851 O motivo da missão. É do amor de Deus por todos os homens que a Igreja sempre tirou a obrigação e a força de seu clã missionário: "Pois o amor de Cristo nos impele..." (2Cor5,14). Com efeito, "Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecem à moção do Espírito de verdade já estão no caminho da salvação; mas a Igreja, a quem esta verdade foi confiada, deve ir ao encontro de seu anseio, levando-lhes a mesma verdade. Ela tem de ser missionária
porque crê no projeto universal de salvação. (Parágrafos relacionados 221,429,74,217,2104,890).
852 Os caminhos da missão. "O Espírito Santo é o protagonista de toda a missão eclesial ." É ele quem conduz a Igreja pelos caminhos da missão. "Esta missão, no decurso da história, continua e desdobra a missão do próprio Cristo, enviado a evangelizar os pobres. Eis por que a Igreja, impelida pelo Espírito de Cristo, deve trilhar a mesma senda de Cristo, isto é, o caminhos da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si até a, morte, da qual Ele saiu vencedor por sua Ressurreição." É assim que "o sangue dos mártires é uma semente de cristãos". (Parágrafos relacionados 2044,2473)
853 Mas em sua peregrinação "não ignora a Igreja o quanto se distanciam entre si a mensagem que ela profere e a fraqueza humana daqueles aos quais o Evangelho foi confiado [a90] ". Somente avançando pelo caminho "da penitência e da renovação" e "pela porta estreita da Cruz" o Povo de Deus pode estender o Reino de Cristo. Com efeito, "assim como Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho, a fim de comunicar aos homens os frutos da salvação" (Parágrafos relacionados 1428,2443).
854 Por sua própria missão, "a Igreja caminha com a humanidade inteira. Experimenta com o mundo a mesma sorte terrena; é como o fermento e a alma da sociedade humana a ser renovada em Cristo e transformada na família de Deus". O esforço missionário exige, pois, a paciência. Começa pelo anúncio do Evangelho aos povos e aos grupos que ainda não crêem em Cristo; prossegue no estabelecimento de comunidades cristãs que sejam "sinais da presença de Deus no mundo [" e na fundação de Igrejas locais; encaminha um processo de inculturação para encarnar o Evangelho nas culturas dos povos; e não deixará de conhecer também fracassos. “Quanto aos homens, sociedades e povos, apenas gradualmente os atinge e penetra, e assim os assume na plenitude católica." (Parágrafos relacionados 2105, 204).
855 A missão da Igreja exige o esforço rumo à unidade dos cristãos. Efetivamente, "as divisões entre cristãos impedem a Igreja de realizar a plenitude da catolicidade que lhe é própria naqueles filhos que, embora lhe pertençam pelo batismo, estão separados da plena comunhão com ela. Não só isso, mas também para a própria Igreja se torna tanto mais difícil exprimir, na realidade de sua plena catolicidade sob todos os aspectos". (Parágrafo relacionado 821).
856 A tarefa missionária implica um diálogo respeitoso com os que ainda não aceitam o Evangelho. Os fiéis podem tirar proveito para si mesmos deste diálogo, aprendendo a conhecer melhor “tudo quanto de verdade e de graça já se achava entre as nações, numa como que secreta presença de Deus". Se anunciam a Boa Nova aos que a desconhecem, é para consolidar, completar e elevar a verdade e o bem que Deus difundiu entre os homens e os povos e para purificá-los do erro e do mal, "para a glória de Deus, a confusão do demônio e a felicidade do homem''. (Parágrafos relacionados 839,843)”.
CURSO MODULAR DE TEOLOGIA PADRE FÉLIX ZAVATTARO
2 Organizado em função das aulas de Missiologia, do curso modular de teologia do Centro Social Dom Bosco,
Paróquia São João Bosco, Campo Grande (Contato: cesarmachadolima@hotmail.com)
A NATUREZA MISSIONÁRIA ONTEM E HOJE
Essa é a GRANDE TAREFA deixada por Jesus à Igreja: “Vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores (...); Anunciem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mt 28, 19; Mc 16, 15).
Assim declara atualmente o Documento de Aparecida: “A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino
americanas e mundiais (...); Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos missionários. Isso não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade, como discípulos...” (DAp, 11).
1. As circunstâncias atuais como sinais dos tempos
A Igreja se encontra hoje numa situação de diáspora diante da fragmentação e da multi
culturalidade do mundo atual. A hegemonia das tradições religiosas em determinados territórios deixou lugar ao pluralismo possível, graças às encruzilhadas proporcionadas por tecnologias, mercados, mobilidades humanas e aglomerações urbanas. O catolicismo na América Latina perde porcentagens de supostos adeptos e assiste ao crescimento das igrejas pentecostais, ao lado do aumento do número de descrentes, sobretudo entre os mais jovens.
Nessa efervescência, cidades e metrópoles substituíram aldeias em todo o mundo. Sabedorias populares e estruturas comunitárias deram lugar à autonomia e à liberdade das pessoas. A questão religiosa, no seu conjunto, se amplifica e se aprofunda diante dos desafios do mundo pós
moderno e globalizado. Para a humanidade do século XXI, a religião se torna uma mercadoria para satisfazer as necessidades/desejos espirituais de sentido dos indivíduos, dispensando, porém, a adesão a uma comunidade e a afiliação a uma confissão.
Numa realidade marcada por grandes e profundas mudanças, a Igreja procura encarar esses desafios com uma atitude ambivalente: de um lado, positivamente, com confiança, atenção e escuta, discernindo os sinais dos tempos em que Deus se manifesta, por outro, com apreensão, frente à desordem generalizada que se propaga por novas turbulências sociais e políticas, pela difusão de uma cultura distante e hostil à tradição cristã.
Seja como for, nesse contexto a Igreja sente a necessidade de intensificar seus esforços e de ampliar os âmbitos de ação de sua missão evangelizadora. Antigamente, no regime da societas perfecta, a missão (ad gentes) coincidia exatamente com a missão ad extra em territórios culturalmente não
cristãos. Era uma questão de “soberania” da Igreja em relação ao mundo fora da cristandade. Hoje a atividade missionária parece se impor como realidade difusa também nos contextos de antiga tradição cristã. Contudo, ainda sobrevive um arquétipo missionário atrelado a uma visão etnocêntrica e eclesiocêntrica de “território” (geográfico ou simbólico), em que os destinatários da ação evangelizadora precisam ser “conquistados” ou “reconquistados” para serem reconduzidos aos cuidados da Igreja.
Ao falar de missão da Igreja nas circunstâncias atuais, se faz necessário um discernimento fundamental que ajude a não confundir a fidelidade ao Senhor (que disse: “Ide e pregai!”) com a fixação em modelos historicamente limitados (missões transculturais, padres, freiras...).
Nesse sentido, a perspectiva conciliar sugere de desprender imediatamente nossa idéia de missão do conceito de território e de ação, para reencontrar sua profunda razão de ser no núcleo identitário da própria Igreja, e a partir daí, provocar uma profunda renovação da mesma, começando da reevangelização dos evangelizadores, como sugeriu Aparecida: “Para nos converter em uma Igreja cheia de ímpeto e audácia evangelizadora, temos que ser de novo evangelizados...” (n. 549). Assim, o tema da conversão, tão caro à teologia da missão, é, curiosamente, dirigido à própria Igreja e não ao mundo pagão. Porque motivo? Em que consiste, afinal, essa conversão?
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2. A natureza missionária
Para tentar um caminho de compreensão, podemos partir sem dúvida da declaração conciliar de Ad Gentis (AG): “A Igreja peregrina é por sua natureza missionária, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai” (n. 2). A primeira novidade está na palavra “natureza” que quer dizer “essência”: a Igreja é missionária por sua “essência”. Essa essência é a própria essência de Deus, porque “este desígnio brota do «amor fontal», isto é, da caridade de Deus Pai” (AG, 2). Em outras palavras, a missão vem de Deus porque Deus é amor, um amor que não se contém, que transborda, que se comunica, que sai de si já com a criação do mundo, e conseqüentemente ao pecado da humanidade, com a história da salvação para reintegrar as criaturas na vida plena do Reino. Esse transbordar histórico da Trindade Imanente foi chamado de Trindade histórico
salvífica que configura a missão de Deus (missio Dei). De alguma forma, o próprio Deus se autoenvia pela missão do Filho e do Espírito, através dos quais o próprio Pai.
A segunda palavra mágica de AG 2 é “missionária”. A Igreja é por sua natureza missionária. Isso constitui uma revolução no próprio conceito de Igreja, que procede da missio Dei. Não é mais a Igreja que envia missionários em qualidade de “missionante”, mas é ela própria enviada como “missionária”. Seu envio não é conseqüência: é essência. A Igreja “é” ao ser enviada: se edifica em ordem à missão. Não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. A missão é antes de tudo: eis a mudança de paradigma.
A eclesiologia, portanto, não precede a missiologia. A atividade missionária não é tanto uma ação da Igreja, mas é simplesmente a Igreja em ação. Não é uma Igreja que ‘tem’ uma missão, mas ao contrário, na missão de Cristo que se cria uma Igreja. Não é uma missão que deve ser compreendida a partir da Igreja, mas o contrário. Nisso se define a própria identidade da Igreja.
Escreveu João Paulo II, na Exortação Apostólica Redemptoris Missio (RM - A missão do Redentor, de 1990): “...O que me anima mais a proclamar a URGÊNCIA DA EVANGELIZAÇÃO MISSIONÁRIA é que ela constitui o PRIMEIRO SERVIÇO que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira, no mundo de hoje, que, apesar de conhecer realizações maravilhosas, parece ter perdido o sentido último das coisas e da sua própria existência...”. E prossegue dizendo o que já estudamos na GS: “...Cristo Redentor revela plenamente o homem e si próprio... A Redenção, operada na cruz, restituiu, definitivamente, ao homem a dignidade e o sentido de sua existência no mundo” (n. 2).
3. Voltando à essência da Igreja
No processo de conversão pastoral a que toda a Igreja e cada discípulo é convidado a trilhar, tendo em vista a retomada do fôlego missionário, é fundamental lançar o olhar às nossas origens, naqueles dias onde se ouviam expressões apaixonadas como a de S. Pedro (cf. At 4, 20) e a de S. Paulo (cf. I Cor 9, 16).
A RM contém um modelo perfeito para a compreensão missionária, capítulo a capítulo:
3. 1. Jesus Cristo, único Salvador
· Não podemos substituir a missão aos não-alcançados pelo diálogo inter-religioso?
· Não se deverá restringir a ação da Igreja ao empenho pela promoção humana?
· O respeito pela consciência e pela liberdade não exclui qualquer forma de conversão?
· Não é possível salvar-se em qualquer religião?
· Para quê, pois, a missão? (João Paulo II faz todas essas questões)
A resposta às quatro primeiras questões é uma só: NÃO! E a resposta à quinta, está nas Escrituras. Leia: Jo 1, 9; 14, 6 – At 4, 10-12 – Hb 1, 1-12 – I Tm 2, 5-7 – Hb 4, 14-16 – Jo 3, 16 – Cl 1, 12-14 – Ef 1, 10. Abaixo alguns pensamentos de João Paulo acerca dessa nossa tarefa missionária:
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“O anúncio e o testemunho de Cristo, quando feitos no respeito das consciências, não viola a liberdade. A fé exige a livre adesão do homem, mas tem de ser proposta, já que as multidões têm o direito de conhecer as riquezas do mistério de Cristo, nas quais a humanidade pode encontrar, numa plenitude inimaginável, tudo aquilo que procura...” (RM, 8).
“Não podemos calar-nos (At 4, 20). Respeitando todas as crenças e todas as sensibilidades, devemos afirmar, antes de mais nada, com simplicidade, a nossa fé em Cristo, único salvador do homem – fé que recebemos como um dom do Alto, sem mérito algum de nossa parte. Dizemos como São Paulo: ‘Eu não me envergonho do Evangelho, o qual é o poder de Deus para salvação de todo o crente’ (Rm 1, 16)” (RM, 11).
“À pergunta por que a missão?, respondemos, com fé e a experiência da Igreja, que abrir-se ao amor de Cristo é a verdadeira libertação. Nele, e só nele, somos libertados de toda alienação e extravio, da escravidão ao poder do pecado e da morte. Cristo é verdadeiramente a nossa paz (Ef 2, 14), e o amor de Cristo nos impele (II Cor 5, 14), dando sentido e alegria à nossa vida. A missão é um problema de fé; é a medida exata de nossa fé em Cristo e no seu amor por nós” (idem).
3. 2. O Reino de Deus
· O Messias veio pregar o Reino de Deus (cf. Mc 1, 14-15; Mt 4, 17; Lc 4, 43);
· A proclamação e instauração do Reino de Deus são o objetivo de sua missão (cf. Mc 1, 15; Mt 11, 4-5; 12, 25-28; Mc 3, 13-19; Lc 4, 18 etc.);
· Características e exigências do Reino:
ü Destina-se a todos os homens (Jesus foi a todos, a começar dos marginalizados – Lc 6, 20; 5, 30; 15, 2; 7, 34; 15, 1-32);
ü A libertação e a salvação, oferecidas pelo Reino de Deus, atingem a pessoa humana tanto em suas dimensões físicas como espirituais (cf. Lc 5, 24; 18, 42-43; Mt 12, 28);
ü O Reino pretende transformar as relações entre os homens, a medida que se entregam à Deus (cf. Jo 13, 34; 15, 12);
ü O Reino diz respeito a todos: pessoas, sociedade, o mundo inteiro;
ü O Reino começa na vida da pessoa que aceita Jesus (cf. At 8, 12; 28, 31; II Pd 1, 11).
ü A Igreja não é o Reino, mas a porta de acesso ao Reino, uma vez que oferece Cristo Salvador.
O caminho para as pessoas conhecerem e entrarem no Reino é o anúncio e a vida de comunidade.
Nesse sentido, destaca João Paulo II:
“Como outrora, é preciso unir, hoje, o anúncio do Reino de Deus (o conteúdo do kerigma de Jesus) e a proclamação da vinda de Jesus Cristo (o kerigma dos apóstolos). Os dois anúncios completam-se e iluminam-se mutuamente” (RM, 16).
“A Igreja está efetiva e concretamente ao serviço do Reino. Em primeiro lugar, serve-o com o ANÚNCIO que chame à conversão: este é o primeiro e fundamental serviço à vinda do Reino para cada pessoa e para a sociedade. A salvação escatológica começa já agora, na novidade de vida em Cristo... (Jo 1, 12) (...); A Igreja serve, ainda, o Reino, FUNDANDO COMUNIDADES, constituindo Igrejas particulares, levando-as ao amadurecimento da fé e da caridade, na abertura aos outros, no serviço à pessoa...” (RM, 20).
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3. 3. O Espírito Santo, protagonista da missão
O Espírito Santo continua a missão de Cristo, radicada na cruz, por meio da Igreja, agindo nos discípulos e apóstolos de ontem e de hoje, sendo, pois, “o protagonista de toda missão eclesial” (RM, 21). Ao mesmo tempo em que age nos cristãos, opera nos ouvintes, dando vida para que os corações e consciências se abram ao Evangelho.
O envio missionário foi narrado pelos 4 evangelistas (cf. Mt 28, 18-20; Mc 16, 15-18; Lc 24, 46-49; Jo 20, 21-23). É no Espírito que a Igreja é enviada. Ele é a presença e a força do Senhor (RM, 23).
Os Atos dos Apóstolos contém 6 discursos missionários (cf. 2, 22-39; 3, 12-26; 4, 9-12; 5, 29-32; 10, 34-43; 13, 16-41). Também At 14, 15-17 e 17, 22-31 são modelos de missão entre os pagãos. É um convite à conversão em Jesus e à transformação pelo Espírito. (RM, 24). Além dessa mudança interior que o Espírito opera, ele “impele o grupo dos crentes a ‘constituírem comunidades’, a serem Igreja” (cf. At 2, 42-47; 4, 32-35/RM, 26). Passa-se do kerigma para a koinonia.
Ponto importante nesse documento é enfatizar que a missão não se restringe aos apóstolos na Igreja primitiva, quando diz: “Logo nas suas origens, a missão foi vista como um compromisso comunitário e uma responsabilidade da Igreja local, que necessita de missionários para se expandir em direção a novas fronteiras” (RM, 27). Assim, “a missão ad gentes, embora contando com missionários integralmente dedicados a ela por vocação especial, todavia era considerada como o fruto normal da vida cristã, graças ao compromisso de cada crente, atuado mediante testemunho pessoal e anúncio explícito, sempre que possível” (idem).
Disse João Paulo II: “O nosso tempo, com uma humanidade em movimento e insatisfeita, exige um renovado impulso na atividade missionária da Igreja” (RM, 30). “A Igreja deve, hoje, enfrentar outros desafios, lançando-se para novas fronteiras, quer na missão ad gentes, quer na nova evangelização dos povos que já receberam o anúncio de Cristo” (idem).
3. 4 – Os imensos horizontes da missão ad gentes
· Enviados a todas as pessoas, a todos os povos e a todos os lugares da Terra (isso é primário e essencial);
· Saber lidar com um quadro religioso completo e em mutação (RM, 32);
· A missão se dá: 1- entre os que não conhecem a Cristo (pregando-O), 2- entre os que O conhecem (cuidando deles pastoralmente) e 3- entre os que já não possuem uma fé viva e praticante (nova evangelização) (RM, 33);
3. 5 – Os caminhos da missão
· Testemunho: “o homem contemporâneo acredita mais nas testemunhas do que nos mestres” (Paulo VI) (RM, 42).
· Kerigma: o anúncio de Cristo morto e ressuscitado tem prioridade na missão (RM, 44);
· Conversão e batismo: pela fé na Palavra vem a conversão, e nela a adesão a Cristo pelo Batismo (RM, 47);
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· Formação de igrejas locais: é preciso fundar novas comunidades cristãs e desenvolvê-las até a maturidade (plantatio Ecclesiae). Isso é tarefa de toda a Igreja (famílias, paróquias e associações) (RM, 49);
· Comunidades eclesiais de base – força da evangelização: grupos cristãos a nível familiar ou de ambientes restritos, que se encontram para a oração, a leitura das Escrituras, a catequese, a partilha dos problemas humanos e eclesiais, em vista de um compromisso comum (RM, 51). Elas descentralizam e, articulam a comunidade paroquial;
· Encarnar o Evangelho na cultura dos povos: processo de inculturação;
· Diálogo com outras religiões: sem nunca deixar de afirmar que a salvação vem de Cristo, e que o diálogo não dispensa a evangelização (RM, 55);
· Promover o desenvolvimento, educando as consciências: trazer promoção integral do ser humano (RM, 58);
· A caridade, fonte e critério da missão: as obras de caridade dão testemunho da alma missionária da Igreja (RM, 60).
3. 6 – Os responsáveis e os agentes da pastoral missionária
“Não existe testemunho, sem testemunhas, como não há missão, sem missionários” (RM 61).
· Apóstolos (bispos) (RM, 63s);
· Missionários e institutos ad gentes (RM, 65s);
· Sacerdotes diocesanos (RM, 67s);
· Institutos de vida consagrada (contemplativos e ativos) (RM, 69s);
· Todos os leigos (RM, 71).
“A necessidade de que todos os fiéis compartilhem tal responsabilidade não é apenas questão de eficácia apostólica, mas é um DEVER-DIREITO, fundado sobre a dignidade batismal, pelo qual os leigos participam, por sua vez, no tríplice ministério – sacerdotal, profético e real – de Jesus Cristo. Por isso, recai sobre eles o mandato do Senhor, tendo o direito de se empenharem individualmente, ou reunidos em associação, para que o anúncio da salvação seja conhecido e acolhido por todo homem, em qualquer lugar (RM, 71).
· A obra dos catequistas e a variedade dos ministérios (RM, 73s);
· A congregação para a evangelização dos povos e outras estruturas da atividade missionária (RM, 75s);
3. 7 – A cooperação na atividade missionária
Todos os batizados são co-responsáveis pela missão (RM, 77). Isto se dá:
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· Na união de cada fiel a Cristo;
· Na oração e sacrifício pelos missionários;
· Na oferta às obras missionárias;
· Na resposta vocacional e engajamento integral na missão (consagração);
Para tudo isso acontecer, a Igreja deve investir na formação missionária do povo de Deus.
3. 8 – A espiritualidade missionária
· Deixar-se conduzir pelo Espírito;
· Viver o mistério de “Cristo enviado”;
· Amar a igreja e os homens como Jesus amou;
· O verdadeiro missionário é o santo;
Conclusão
“Nunca como hoje se ofereceu à Igreja a possibilidade de, com o testemunho e a palavra, fazer chegar o Evangelho a todos os homens e a todos os povos. Vejo alvorecer uma nova época missionária, que se tornará dia radioso e rico de frutos, se todos os cristãos e, em particular, os missionários e as jovens Igrejas, corresponderem, generosa e santamente, aos apelos e desafios do nosso tempo.
Como os apóstolos depois da ascensão de Cristo, a Igreja deve reunir-se no Cenáculo com Maria, a Mãe de Jesus, a fim de implorar o Espírito e obter força e coragem para cumprir o mandato missionário. Também nós, bem mais que os apóstolos, temos necessidade de ser transformados e guiados pelo Espírito (...)” (RM, 92).